#PapodeProfessor: como a atuação nas salas e grupos de leitura formam leitores e despertam a paixão pelos livros?

Organizar salas e grupos de leitura, escolher livros que sejam atrativos para os alunos e que atendam a grade curricular não são tarefas fáceis. É necessário ter dedicação e, acima de tudo, paixão pelo universo letrado.

Taís Gonçalves é professora de História da rede municipal de São Paulo e assumiu recentemente a sala de leitura da EMEF Marechal Deodoro da Fonseca. A escola atende estudantes do 1° ao 9° ano do Ensino Fundamental (de 6 a 15 anos) e do Ensino de Jovens e Adultos (idades variadas, a partir de 15 anos).  “Me candidatei a ser orientadora da sala de leitura, pois gosto muito de ler. Gosto de estar entre livros e quero que meus alunos, assim como eu, leiam por prazer e creio que tenho conseguido estimular o hábito da leitura”, ressalta a professora.

Taís conta um pouco do dia a dia da sala de leitura e seu trabalho para a formação de leitores. Confira!

Como você escolhe os livros? Há algum tipo de curadoria e cronograma para o ano?

Assumi a sala de leitura há pouco tempo e a primeira ação que fiz foi escutar os alunos por meio de rodas de conversa para saber o que já costumam ler, seus gostos e afins. Também temos muita formação da secretaria de educação e os professores das turmas também indicam livros para serem trabalhados.

Há algumas orientações para seguir o calendário da prefeitura como o “agosto indígena” e “novembro negro” para trabalhar as leituras específicas dessas temáticas como mitos e lendas indígenas e africanas. Mas, geralmente, planejamos as leituras com os professores das demais disciplinas e em algumas aulas deixamos os alunos explorarem os livros e escolherem suas leituras livremente.

As leituras são realizadas em grupo ou os alunos levam os livros para casa e depois retornam para alguma discussão/debate?

Há várias dinâmicas: leitura conjunta com toda a turma lendo o mesmo livro, leitura individualizada, em duplas, trios. Também há empréstimos de livros e em geral os alunos retiram muitos livros para lerem em casa, os que não fazem empréstimos, eu tento identificar o que gostam e sugiro algumas leituras. Sempre peço para que os alunos comentem suas leituras através de rodas de conversa ou no início da aula ou no final.

Como vocês fazem o compartilhamento de leitura? Há algum processo ou modelos que vocês usam para a ação?

Compartilhamos as leituras por meio de trocas das impressões dos livros que os alunos leram, por meio de rodas de conversas. Também fazemos dinâmicas em que os alunos indicam os livros que gostaram de ler para algum colega.

Há algum livro, em especial, que os alunos gostaram muito de ler e você se surpreendeu?

Percebo que alguns livros fazem muito sucesso em algumas turmas e os alunos gostam de lê-los várias vezes:

3° ano: A vaca que botou um ovo; Até as princesas soltam pum; Bruxa, Bruxa venha a minha festa.

4° ano: A Fantástica Fábrica de Chocolate; O BGA; O jardim secreto.

5° ano: O Grito do Hip Hop.

Todas as turmas pedem livros da “moda” como Diário de um banana e a Culpa é das estrelas. Procuramos doações para atender aos interesses dos alunos. Me surpreendi com alunos retirando livros de matemática, atlas ou sobre folclore por simples prazer e curiosidade e não porque alguém mandou, por obrigação.

Você consegue verificar se os alunos melhoram o comportamento e/ou a aprendizagem após participarem das aulas de leitura?

Sim. Vejo vários alunos que na sala de aula têm dificuldades de se concentrarem e na sala de leitura com um livro na mão ficam totalmente concentrados. Percebo que alunos que possuem dificuldades de se expressarem estão melhorando com as práticas de socialização das leituras realizadas. Também identifico a melhora na escrita dos alunos e muitos se interessam para além dos livros, também pelas grafias das palavras, pelo vocabulário até então desconhecido, ajudando na ampliação do repertório dos alunos.

Projeto TRILHAS pode apoiar nas ações das salas e grupos de leitura

Professores! O projeto TRILHAS do Instituto Natura é composto por um conjunto de materiais on-line e off-line (kit TRILHAS), ferramentas virtuais colaborativas e interativas de formação (EAD) e orientações pedagógicas para apoiar o educador a trabalhar escrita, oralidade e leitura em sala de aula.

O projeto também possui um caderno de Indicações Literárias que pode ser usado por professores que desejam ampliar o trabalho que já realizam com os demais cadernos do kit TRILHAS e por qualquer adulto que dá valor à leitura em todas as idades e queira compartilhar a experiência com as crianças.

Confira todo o material do kit TRILHAS em www.portaltrilhas.org.br

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