Blog 20/11/2019

Dia da Consciência Negra: a escola e a inclusão da diversidade

A questão racial ainda influencia os índices escolares. Precisamos colaborar para mudar esse cenário!

#PraCegoVer #PraTodosVerem Foto de três adolescentes negras. Elas riem enquanto olham para um objeto que a estudante do meio está segurando.
#PraCegoVer #PraTodosVerem
Foto de três adolescentes negras. Elas riem enquanto olham para um objeto que a estudante do meio está segurando.

Hoje é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo de Palmares, que lutou para preservar o modo de vida dos africanos escravizados que conseguiam fugir da escravidão. Escravidão esta que deixou sua marca histórica na população negra, que até hoje está à margem e com oportunidades reduzidas e desiguais quando comparadas àquelas que a população branca acessa.

Em 2003, o governo brasileiro determinou a inclusão da temática de “História e Cultura Afro-Brasileira” no currículo escolar, quando também ficou estabelecido que as escolas iriam comemorar a Consciência Negra. Se queremos mudar o cenário de desigualdades do Brasil, precisamos falar sobre o assunto, principalmente nas escolas.

Garantir o acesso à educação de qualidade ainda é um grande desafio para o Brasil. E, além do acesso, a dificuldade em permanecer e concluir o ensino básico persistem como realidade de grande parte da população, essencialmente da população negra.  Por isso, no Dia da Consciência Negra, propomos uma reflexão sobre a escola e os estudantes negros.

Recentemente, os dados do IBGE mostraram que, com base nos números de 2018,  verificou-se que 44,2% dos jovens negros entre 19 e 24 anos não conseguiram concluir o ensino médio no ano passado. Quando delimitamos para a questão de gênero, os números também são alarmantes: 33% das meninas negras nessa idade não têm ensino médio, enquanto o índice é de 18,8% entre as brancas. Além disso, na média, 13,1% dos jovens de 19 a 24 anos não haviam concluído o 9º ano do fundamental, entre os negros o percentual era de 19%. Ou seja: a questão racial influencia e segue sendo uma dívida histórica.

Para reverter esse cenário, um dos primeiros passos é o incentivo da inclusão da diversidade nas escolas., criando condições para que os jovens negros ingressem, permaneçam, concluam a educação básica e caminhem para o ensino superior. Acreditamos e unimos esforços, por exemplo, no ensino médio em tempo integral. Os egressos destas escolas têm 17% mais chance de ingressar no ensino superior que aqueles que estudam no modelo comum de escola. Além disso, os concluintes do ensino integral têm uma renda superior em cerca de 19%, sendo também um modelo educacional capaz de zerar a diferença de renda de brancos e negros.

Se queremos mudar o cenário de desigualdades do Brasil, precisamos investir e começar! E a Educação tem muito a contribuir com isso, sendo ferramenta de acesso da população negra às oportunidades que historicamente estiveram distantes da sua realidade.